Yes – “Close to the Edge”

Título: Close to the Edge (18’43”)
Artista: Yes
Álbum: Close to the Edge (Atlantic, 1972)
Autores: Jon Anderson e Steve Howe

Em 1972 os Yes encontraram a sua voz própria. Tendo editado álbuns nos três anos precedentes, a banda inglesa foi, nesse período, marcada pela saída de dois fundadores, e a establilização no chamado quinteto clássico: Jon Anderson (voz), Chris Squire (baixo e segunda voz), Bill Bruford (bateria e percussões), Steve Howe (guitarras) e Rick Wakeman (teclados). Alguns críticos chamaram a esta formação a única banda rock com 5 virtuosos, e é de destacar o facto de que, juntos, apenas gravaram dois álbuns, ambos de 1972: “Fragile” e “Close to the Edge”.
 
No auge dessa maturidade musical “Close to the Edge”, o tema título do quinto álbum dos Yes, escrito por Anderson e Howe, tornar-se-ia um dos seus maiores clássicos, senão mesmo o tema que melhor contém a essência da banda. Nele temos a criatividade, o prodígio técnico dos músicos, a exuberância épica e o desbravar de novos caminhos rumo a um sinfonismo clássico, de leves toques jazzísticos, sempre surpreendente, e que seria a marca principal do som “Yes”.
 
Liricamente o tema encontra-se dividido em quatro partes, mas por questões de estrutura, acrescento uma introdução.
 
Introdução: “Close To The Edge” tem como introdução um crescendo de chilrear de pássaros e som de correntes de água, sobre notas de sintetizador, que vai do pianissimo a um volume alto, explodindo na longa secção inicial que consiste num solo de guitarra de Steve Howe sobre escalas ascendentes e solos de baixo de Chris Squire, apenas cortados duas vezes pela voz de Jon Anderson. Nota-se desde logo a preponderância do baixo como iunstrumento melódico nos Yes. Em cima dos 3 minutos, entra o tema principal “Close to the Edge”, tocado a notas soltas por Steve Howe, e repetido uma série de vezes até a canção propriamente dita se iniciar.
 
I. The Solid Time Of Change: A parte A inicia-se com Jon Anderson a cantar a primeira estrofe (“A seasoned witch could call you”) dinamicamente sobre a guitarra, seguida de um refrão (“Down at the end, round by the corner”), e ponte (“crossed the line around”) antes de novo refrão a duas vozes.
 
II Total Mass Retain: A parte A repete-se (estrofe-estrofe-refrão-ponte-refrão), com diferentes efeitos de guitarra, e de bateria sincopada, e com um final diferente, uma fuga de órgão, sobre o baixo, em jeito de música barroca ao minuto 8.
 
III. I Get Up, I Get Down: Inicia-se então a parte B, com uma introdução de cítara e sintetizadores, até a voz de Chris Squire iniciar novo tema (“in her white lace”) contra o refrão “I get up, I get down” de Anderson, que inicia novo tema (“Two million people barely satisfy”) secundado por linhas cantadas por Steve howe, apenas com repetidas notas de piano e notas uivantes de cítara como um distante acompanhamento. Ao fim de três passagens, o refrão de Anderson (ressoando num eco) desagua numa imponente ponte de órgão de igreja de Rick Wakeman, que continua como fanfarra após mais um refrão. Como que a trazer o tema de volta a casa, um sino interrompe o órgão após o minuto 14, e repete-se o tema “Close to the Edge” agora mais dinamicamente em guitarra sobre um baixo violento.
 
IV. Seasons Of Man: Volta-se à parte A, com um longo solo de teclados a tocar repetidamente a estrofe inicial. Regressa a voz de Anderson (“the time between the notes”), que volta a cantar estrofes e refrão do tema principal, acompanhado em pleno de toda a banda, e agora alongando-se nas notas apoteóticas de “I get up, I get down”. Como um fade out por volta de 17:40, voltam os sons de pássaros iniciais, a fechar o tema.

Yes em 1972

Yes em 1972: Chris Squire, Rick Wakeman, Bill Bruford, Jon Anderson e Steve Howe

Com um tema principal cativante, e um refrão épico, os Yes espantam pelas fortes harmonias vocais e a dinâmica que impõem em cada secção. A estrutura é quase de sonata (AABA), e os sucessivos desenvolvimentos sobre os temas inicialmente apresentados, bem como as passagem de órgão são um perfeito exemplo da influência da música clássica. Ao mesmo tempo a bateria sincopada de Bill Bruford, e o violento baixo de Chris Squire trazem um pouco de jazz ao som final.
 
A letra, inspirada no livro “Siddharta” de Herman Hesse, conta uma viagem espiritual. Siddharta, o Buda, junto ao limite, perto do rio que significa o caminho da sua ascenção. Para isso, Anderson faz uso de imagens ricas e esotéricas, bem à maneira críptica com que pintava cada canção com cores difíceis de discernir, e no auge da forma, Anderson canta-as com o seu célebre falseto.
 
Com “Close to the Edge” definia-se o som Yes, e a banda ganhava fôlego para os épicos que a iriam caracterizar, e de certo modo marcar todo o rock progressivo daí em diante. O tema é quase hipnótico, elusivo ao início, insinuando-se pela repetição, até nos envolver completamente. Isto é… se lhe dermos tempo, e o ouvirmos as vezes que for preciso.

 

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