Jethro Tull – “Thick as a Brick”

Título: Thick as a Brick (43’54”)
Artista: Jethro Tull
Álbum: Thick as a Brick (Island, 1972)
Autor: Ian Anderson

Em 1972 o mundo assistia ao nascimento de um álbum rock que tinha um único tema: “Thick As A Brick”, dos Jethro Tull. A banda, liderada pelo flautista Ian Anderson, começara no final dos anos 60 com música que o seu líder caracterizava como “blues progressivo com uns toques de jazz”. Após alguma mudança de músicos e busca de estilo, em 1971, com a edição do famoso “Aqualung”, os Jethro Tull estabilizavam no seu “elenco progressivo”, constituído por: Ian Anderson (voz, guitarra acústica, flauta, violino, trompete e saxofone), Martin Barre (guitarra eléctrica e alaúde), John Evan (piano, orgão, cravo e sintetizadores), Jeffrey Hammond (baixo) e Barriemore Barlow (bateria e percussões).
 
Este quinteto estaria junto entre 1971 e 1975, gravando cinco álbuns. “Thick As A Brick” é o segundo desses álbuns, surgindo em resposta a “Aqualung” (Ian Anderson terá dito, “ah querem um álbum conceptual, então vamos dar-vos um”). Com arranjos orquestrais de David Palmer (ex-Supertramp), o álbum espantou o mundo por conter apenas um tema (se bem que separado em dois lados, pois os LPs assim o requeriam), e é tão assumidamente conceptual, que Ian Anderson atribuía as letras a um imaginário poeta de oito anos, que escrevera sobre o seu crescimento. Era, para Anderson, uma resposta à megalomania de uns Emerson, Lake & Palmer que ele considerava vazios de conteúdo.
 
Com “Thick As A Brick” os Jethro Tull elevavam ao máximo aquela que seria a sua marca, a música de sensibilidade folk, adaptada à roupagem rock. Temos por isso uma multitude de sons e instrumentos acústicos (flauta, piano, violino, xilofone, alaúde, etc), que nos reportam a uma atmosfera arcaica, mesmo medieval.
 
O tema é transportado pela voz clara e evocativa de Ian Anderson, por vezes soando como um trovador moderno, ao estilo de um Cat Stevens ou Bob Dylan, definindo temas, e embalando-nos no seu universo. Sobre a sua voz evolui toda a banda. O primeiro lado é marcadamente acústico, com um conjunto de temas folk que poderiam ser canções independentes, a entrelaçar-se, aqui e ali com um toque de psicadelismo, e alguns solos de guitarra e órgão. Os temas repetem-se e evoluem, mas sempre numa atmosfera pastoral, definida principalmente por voz e flauta.
 
O segundo lado, mais rápido e dinâmico, traz novos temas, sempre conduzidos pela voz de Anderson, mas agora mais marcados pela componente rock da banda, num registo mais ácido, com uma secção rítimica muito definida, e um órgão etéreo. Mais uma vez os temas repetem-se, evoluem e misturam-se, em sucessivas mudanças de ritmo, como é típico em álbuns conceptuais progressivos.

Jethro Tull em 1972

Jethro Tull em 1972. Atrás: Jeffrey Hammond e Barriemore Barlow; à frente: John Evan, Ian Anderson e Martin Barre

A letra é um misto de nostalgia pela mudança de idade, e rito de passagem, com o abandono de um mundo de infância e tudo o que antes se julgava seguro, com a angústia do que está por vir, das expectativas, pressões, e por fim das limitações e desilusões humanas. Nela nota-se a habitual sátira corrosiva de Anderson, pejada de elementos literários, e imagens do dia a dia.
 
Os Jethro Tull ficaram famosos pela sua fórmula de folk progressivo, pelos seus inspirados concertos e pela carismática figura de Ian Anderson, um trovador saído de outros tempos e existências. Com “Thick As A Brick” abria-se mais uma porta para a experimentação e fusão de sons. O conceito de “folk progressivo” seria então indissociável do nome Jethro Tull.

 

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