Discipline – “Into the Dream”


Título: Into the Dream (22’03”)
Artista: Discipline
Álbum: Unfolded Like Staircase (Strung Out Records, 1997)
Autores: Jon Preston Bouda, Paul Dzendzel, Mathew Kennedy, Matthew Parmenter

Fundados pelo guitarrista Jon Preston Bouda, o baterista Paul Dzendzel, o baixista Mathew Kennedy e o vocalista e multi-instumentista Matthew Parmenter, os Discipline surgiram em Detroit, nos Estados Unidos da América, como uma das novas bandas progressivas dos anos 90. Com dois álbuns definiram uma imagem e estabeleceram uma reputação considerável. De seguida pararam.
 
Os álbuns foram Push & Profit (1993) e “Unfolded Like Staircase” (1997), de uma editora criada pela banda, editados já com alguns anos de estrada, e um culto fiel na sua zona de origem. Com essa edição a banda tornou-se conhecida internacionalmente, gerando um culto também na Europa para onde foi convidada a tocar. Foi sobretudo o segundo álbum, aquele que mais entusiasmo gerou. Composto apenas por quatro temas, de um expresso sinfonismo, reminiscente do início dos King Crimson. Nele incluía-se o tema aqui proposto, “Into the Dream”.
 
Subdividido em sete partes (Descent / Chock Full O’Guts / Drawn and Quartered / Clearing / Stealing the Key / Sum Music / Turtles All the Way Down), “Into the Dream” é um tema bastante compacto. Começando com escalas menores de guitarra distorcida e de órgão, o tema é desde logo definido pelo sinfonismo trazido pelo uso do mellotron. Sobre esta base sólida evolui a voz de Matthew Parmenter, um arlequim moderno (conhecido como Magic Acid Mime), cantando sobre angústias, sonhos e desesperos.
 
De destacar a voz de Matthew Parmenter. De timbre nasalado, aparentando fragilidade, Parmenter lidera os temas, levando-os com a sua voz. Esta transpira sofrimento e angústia, e sempre muita emotividade. Essa expressividade, e o modo como ela define os temas lembra aquele que é para Parmenter o seu ídolo, Peter Hammil, dos Van der Graaf Generator.
 
A guitarra alterna uivos assombrosos com notas cristalinas, não sem lembrar Steve Hackett e Genesis. Do mesmo modo o tema alterna do mais intimista ao som mais sinfónico, com guitarras e o som cheio do mellotron em fanfarra, num crescendo de emoção e dramatismo, que culminará em acordes de órgão.
 
As melodias transitam por atmosferas diferentes, sempre com a voz em primeiro plano, sem cortes nem interrupções, num sinfonismo discreto onde o virtuosismo não se sobrepõe à melodia (há de facto poucos solos, e sempre breves). Assim volta-se de novo a passagens intimistas, mas apenas como respirações para o dramatismo que se segue, onde Parmenter como mestre de cerimónias nos guia por um circo de emoções.
 
Sem virtuosismos, o tema triunfa pela criação de atmosferas. Estas são delicadas por vezes, exuberantes noutras, mas sempre negras e intensas.

Discipline em 1997

Discipline em 1997: Jon Preston Bouda, Mathew Kennedy, Matthew Parmenter e Paul Dzendzel.

Com “Unfolded Like Staircase” os Discipline trouxeram o rock sinfónico em toda a sua pompa para os anos 90. Tal teve espelho no que os Änglagård faziam na Suécia, no início de uma onda que iria percorrer toda a década, com a propulsão da internet. Ao vivo definiam-se pela imagem de Matthew Parmenter e da sua máscara facial de mimo. O facto de trocar de roupas entre as músicas, para encarnar diferentes personagens, fazia-o uma espécie de Peter Gabriel, mas na forma de interpretar assemelhava-se sobretudo a Peter Hammil. Tudo isto com harmonias vocais a lembrar Yes sobre um som que recordava King Crimson. Desse modo, os Discipline faziam uma síntese de influências dos anos 70, e respondiam às necessidades de sinfonismo rock de uma nova geração.
 
Embora só com dois álbuns nos anos 90, os Discipline marcaram presença constante em festivais de rock progressivo, e editaram vários álbuns e DVDs ao vivo. Em paralelo Matthew Parmenter lançava uma carreira a solo, onde, ao piano dava maior intensidade à expressão dos temas. Uma dessas digressões passou mesmo por Gouveia, em Portugal. Quase surpreendentemente, os Discipline voltaram aos discos em 2011 (em novo paralelo com os já referidos Änglagård).
 
Mostando que também os Estados Unidos são uma força na música sinfónica de sensibilidade lírica acima do habitual, os Discipline, e em particular este “Into the Dream” são um prazer a descobrir, com muito tempo.

 

2 responses to “Discipline – “Into the Dream”

  1. Mais uma banda a descobrir, sem dúvida. Grazie!

  2. Já conhecia o nome destes senhores mas ainda não tinha ouvido nada deles. Gosto deste tema, gosto muito da voz e da forma como ele a utiliza e gosto da composição e arranjos com uma única excepção que passo a explicar: penso no que o tema ganharia muito com um baterista mais inventivo, mais interventivo e sobretudo menos mole. Com um baterista assim estes senhores entrariam certamente para o top da primeira liga prog-sinfónica.

Deixe um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s