Beardfish – “Sleeping in Traffic”

Título: Sleeping in Traffic (35’48”)
Artista: Beardfish
Álbum: Sleeping in Traffic, Part II (InsideOut, 2008)
Autores: Rikard Sjöblom, David Zackrisson, Magnus Östgren, Robert Hansen

Continuando a viagem pela música progressiva da Suécia dos nossos dias, é agora a vez de destacar a banda Beardfish.
 
Fundados em 2000, os Bearfish, aproveitando o prestígio trazido por bandas como Ânglagård, Anekdoten e The Flower Kings, começaram com o seu álbum de estreia de 2003 (cantado em sueco), a sua homenagem à música dos anos 70, onde se percebiam claras influências de bandas como King Crimson, Gentle Giant ou até Frank Zappa.
 
Depois de algumas trocas de elementos nos seus anos formativos, os Beardfish entraram em estúdio como um quinteto, tendo perdido o teclista e flautista Stefan Aronsson a seguir ao primeiro álbum. A banda manteve então a formação que continua até hoje, com Rikard Sjöblom (voz e teclados), David Zackrisson (guitarra), Robert Hansen (baixo) e Magnus Östgren (bateria). Passaram a cantar em inglês e a seguir ao segundo álbum “The Sane Day”, de 2005, lançaram um trabalho conceptual em duas partes, nos álbums “Sleeping In Traffic” partes I e II de 2007 e 2008, respectivamente.
 
A história é um dia da vida de uma pessoa, com o primeiro álbum dedicado ao dia, e o segundo, à noite. É do segundo “Sleeping in Traffic” que se extrai o tema título aqui apresentado. Uma caminhada de 35 minutos que, à boa maneira do rock progressivo, passa por diversos andamentos e estados de espírito.
 
Nele os Beardfish mostram toda a sua vasta gama de influências. Com uma voz nostálgica, a lembrar um pouco Procol Harum, os Beardfish dão-nos efeitos crimsonianos, guitarras acústicas a lembrar uns mais pastorais Genesis, riffs mais duros em jeito hard-rock, pitadas de humor, ambientes floydianos, “licks” de Beatles, e uma tonalidade sinfónica que atravessa todo o tema. Os Beadfish não hesitam mesmo em pegar em samples de outros temas (Bee Gees, por exemplo) para ajudar a contar a história. É caso para dizer que é difícil não encontrar no tema algo com que não nos identifiquemos. O tema é essencialmente uma viagem por várias paisagens sonoras, e dado o seu forte sentido melódico deixa-nos sempre a sensação se estarmos num tema único e coeso.

Beardfish em 2008

Beardfish em 2008: Rikard Sjöblom, David Zackrisson, Magnus Östgren e Robert Hansen.

“Sleeping in Traffic”, é narrado na primeira pessoa e fala dos problemas internos de alguém que acordando à noite, faz da insónia uma análise da sua vida. Revê por isso a sua relação com os seus medos e desejos, e a luta por uma sanidade que parece perder-se num quotidiano sem sentido. “Dormindo no trânsito”, a tradução do título é uma sátira ao estado automático semi-acordado com que nos arriscamos a passar pela vida. A constatação expressa em “Eu sou o meu pior inimigo” é a conclusão dessa introspecção. O tema está subdividido nos seguintes andamentos: Asleep? / Falling / Invitation to love / In the presence of seagulls / Captain Flurry / Funky club in the backstreet with the punk and the glaced eyed lover / Awake?
 
Após a dupla de álbuns “Sleeping in Traffic”, os Beardfish cimentaram o seu estatuto em digressões internacionais, tendo sido apadrinhados por Mike Portnoy primeiro, e mais recentemente pelos Flying Colors (banda que integra Mike Portnoy e Neal Morse).
 
De 2008 para cá editaram mais três álbuns e estabeleceram-se como um nome forte do progressivo melódico sueco. Uma banda a descobrir com tempo, e um tema para ouvir muitas vezes, com a atenção merecida.

 

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