Procol Harum – “In Held ‘Twas in I”

Título: In Held ‘Twas in I (17’39”)
Artista: Procol Harum
Álbum: Shine On Brightly (Regal Zonophone, 1968)
Autores: Gary Brooker, Matthew Fisher, Keith Reid

Em 1967 o single “A Whiter Shade of Pale” surpreendeu o mundo rock, pela sua combinação de música clássica (é quase uma cópia de um andamento de uma suite de Bach), tocada em órgão Hammond, e cantada. Talvez como nunca antes, parecia o casamento perfeito entre a música clássica e a dita “popular” ou “pop”, e garantiu aos Procol Harum uma especial atenção nos finais dos anos sessenta.
 
Na sequência desse single, e estreando-se ao vivo logo como banda abertura de Jimi Hendrix, os Procol Harum lançaram vários álbuns consecutivamente, todos exibindo uma grande coesão. Destacavam-se melodias como uma mistura de música clássica e blues, numa atmosfera lânguida, cantada em voz melancólica e servidas com letras de alto teor poético. Curioso foi o facto do letrista Keith Reid ter sido sempre contado como membro efectivo da banda.
 
É desses primeiros álbuns que se destaca aqui o segundo, “Shine On Brightly”, de 1968, do qual estraímos o tema “In Held ‘Twas in I”, talvez um dos primeiros longos temas da música rock. A banda era então formada por Matthew Fisher (orgão, voz ocasionalmente), Dave Knights (baixo), B.J. Wilson (bateria), Robin Trower (guitar, voz ocasionalmente), Gary Brooker (piano e voz principal) e Keith Reid (letras), formação que passara já por algumas transformações.
 
Com mais de 17 minutos “In Held ‘Twas in I” encontra-se subdividido nos temas “Glimpses of Nirvana” / “‘Twas Teatime at the Circus” / “In the Autumn of My Madness” / “Look to Your Soul” / “Grand Finale”.
 
O tema começa com um monólogo onde se descreve a procura da resposta do sentido da vida num templo budista, que conduz a um crescendo rock liderado pela bateria de Wilson, o piano ostinato de Brooker e uma guitarra distorcida. Uma espécie de cítara dá um tom oriental que leva ao monólogo seguinte, o qual fala da solidão e desespero humanos.
 
Sinos anunciam o segundo andamento, que em estilo vaudeville introduz o tema do circo “it’s teatime at the circus”, como metáfora para o circo da vida. É um momento de humor que termina em aplausos.
 
Após o som de uma tempestade inicia-se “In the Autumn of My Madness”, um tema de tristeza e despedida da vida, pontuado por bonitas partes de órgão Hammond, que lhe dão o seu ar melancólico.
 
Seguem-se riffs de guitarra a introduzir “Look to Your Soul”, que surge numa longa construção instrumental em que a guitarra pontua sobre o piano e o órgão. Gary Brooker canta de um modo emotivo “I know if I’d been wiser”, num acto de contrição e arrependimento pela vida desperdiçada.
 
O “Grand Finale” é isso mesmo, um tema perfeitamente sinfónico, com coros e solos vivos de guitarra sobre um Hammond orquestral, e uma bateria emotiva que conduz o tema a uma espécie de final feliz e apoteótico.

Procol Harum em 1968

Procol Harum em 1968: Gary Brooker, Robin Trower, Dave Knights, Matthew Fisher e B.J. Wilson.

Com um estilo musical que definiram, baseado numa aproximação à música barroca e clássica, mas de sensibilidade pop, introduzindo em grande escala o órgão Hammond na definição da sua tonalidade musical, os Procol Harum ficaram conhecidos como uma das bandas que fez a transição entre a pop dos anos 60 e a música progressiva do início dos anos 70. Goste-se ou não da sua música, hoje parecendo algo inocente, é inquestionável o seu papel na introdução do sinfonismo no rock, no uso do Hammond, trazendo novas texturas sonoras para a pop, e no uso de uma poesia mais densa que transcendia os habituais temas de amor da música pop.
 
Por tudo isto os Procol Harum são frequentemente citados como uma influência. A sua carreira continuou por várias décadas, transformações e reformações, e usos de orquestras sinfónicas nos concertos ao vivo. Mas são essencialmente os primeiros 3 ou 4 álbuns nessa transição dos anos 60 para os 70 que interessa descobrir. Essencialmente este tema longo, que vale apena ouvir repetidas vezes, com muito tempo.

 

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