The Flower Kings – “Stardust We Are”

Título: Stardust We Are (25’11”)
Artista: The Flower Kings
Álbum: Stardust We Are (InsideOut, 1997)
Autores: Roine Stolt

A história dos Flower Kings inicia-se quando o sueco Roine Stolt, um músico versátil já com alguns álbuns gravados e uma passagem pela banda Kaipa nos anos 70, gravou o seu quarto álbum a solo, intitulado “The Flower King”, de 1994. Nele, Stolt tocava quase todos os instrumentos, tendo a colaboração do baterista Jaime Salazar e do vocalista Hasse Fröberg, para além de outros músicos de estúdio, como o percussionista ex-Samla Mammas Manna, Hans Bruniusson. A banda que tocou o álbum ao vivo incluía já o baixista Michael Stolt (irmão de Roine) e o teclista Tomas Bodin, e resolveu não parar por aí. Adptando o nome “The Flower Kings”, no ano seguinte estes músicos gravavam o seu álbum de estreia “Back in the World of Adventures”, no qual participava também como convidado Ulf Wallander em saxophone.
 
Desde logo os Flower Kings notabilizaram-se pela sua composição clássica, com uma sonoridade que lembrava os Yes, mas com uma originalidade que vem tanto da virtuosidade dos seus músicos, como da inspiração de algum folk sueco. Os álbuns seguintes (“Retropolis” de 1996, e o duplo “Stardust We Are” de 1997) seriam igualmente bem recebidos, tornando a banda sueca uma das mais elogiadas do panorama progressivo internacional que, então com o advento da internet, parecia ganhar um novo fôlego. Falava-se de uma terceira vaga do prog (tendo a primeira e original acontecido nos anos 70, e a segunda, do neoprog, nos 80), com bandas originais que se pensava poderem trazer o nome progressivo de novo à ribalta, e na qual os Flower Kings pareciam surgir à cabeça.
 
É de “Stardust We Are”, no qual participa ainda o multi-instrumentista Håkan Almqvist, que se extrai o tema título, e último do duplo álbum. Com uma introdução em tons pastorais que vai da delicadeza acústica até ao sinfonismo, conduz-se ao primeiro tema cantado (por Stolt), com um refrão a fazer The Who em “Tommy” (see me, touch me, feel me…). Após uma repetição da introdução instrumental, surge, quase em sussurro, um segundo tema sobre arpejos de guitarra acústica (Let me guide you to a world unknown). Passa-se então uma longa passagem instrumental, que se pode dizer ter a imagem de marca dos Flower Kings, com os distintivos solos de Stolt, o som cheio, onde não falta órgão e mellotron (com fanfarras que lembram Genesis), e sempre o sabor folk próprio da banda. Após mais um delicado interlúdio, Hasse Fröberg canta o terceiro tema (Now see how we fly to heavenly high), que culmina no apoteótico refrão “stardust we are”, no que parece uma colagem à voz de Jon Anderson, para terminar em mais um longo instrumental com uma estrutura mais floydiana (a lembrar as fanfarras marciais de, por exemplo “In the Flesh” ou “The Trial”), com a repetição e rearranjo de alguns temas anteriores.

The Flower Kings

The Flower Kings a meio dos anos 90: Hasse Fröberg, Roine Stolt, Tomas Bodin, Jaime Salazar e Michael Stolt

Liricamente o tema parece começar num misto de “Tommy” (The Who) e “The Wall” (Pink Floyd) descrevendo barreiras interiores que isolam alguém de um mundo de desilusão e dor. A atribuição dessas dores a um crescimento e infância perdida lembra também “Misplaced Childhood” (Marillion). O tema termina no apelo “see me, touch me, feel me, will I live forever / Hold me, teach me, thrill me, in your love forever”, reminiscente de The Who. Após um tema intermédio de promessas e esperanças (Let me guide you to a world unknown), vem finalmente o concretizar dessa abertura com a consciencialização de que somos mais do que pó, somos pó das estrelas (stardust), e que os nossos ordálios não passam de sacrifícios para algo mais, perto da divindade. Como sempre nos Flower Kings, o tema é guiado por um espírito new age de espiritualismo dir-se-ia panteísta, onde a comunhão entre homem, natureza, universo e divindade são o caminho para algo positivo e feliz.
 
O resultado é um tema lindíssimo, alternando temas calmos e cantáveis com longas passagens instrumentais, de um sinfonismo delicado, que marcaria o som dos Flower Kings. Para ouvir com tempo…

Dedicado ao meu amigo Spulit.

 

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