Crítica: “Lighthouse” – Iamthemorning

Lighthouse

Lighthouse
Artista: Iamthemorning
Data: Abril, 2016
Editora: Kscope

Lighthouse é já o terceiro álbum de originais dos russos Iamthemorning, mas em certo sentido é como se fosse o primeiro, pela projecção que alcançou, tornando-os uma das bandas revelação de 2016 na comunidade prog. Formados em 2010 como um duo de pop de câmara, constituído pelo pianista Gleb Kolyadin e pela cantora Marjana Semkina, os Iamthemorning foram evoluindo para um som mais complexo, abraçando outros ritmos, o que concretizam em Lighthouse, álbum lançado pela Kscope, que lhes permitiu a colaboração com músicos consagrados como Gavin Harrison e Colin Edwin dos Porcupine Tree e Mariusz Duda dos Riverside.
 
Destacando-se pela voz dinâmica de Marjana Semkina (por vezes a capella), detentora de um registo agudo que recorda um pouco Kate Bush ou Tori Amos (note-se que o álbum foi produzido por Marcel van Limbeek, habitual colaborador de Amos), mas mais controlado e etéreo, a música dos Iamthemorning é definida pela composição para piano de Gleb Kolyadin, que não esconde a sua formação clássica. Entre o neo-clássico e o minimalismo, o som evolui depois entre texturas cristalinas de instrumentos clássicos, paisagens delicadas e momentos mais ácidos. Pontos altos são a enérgica «Too Many Years», a sublime «Sleeping Pills», o registo meio-cabaret de «Libretto Horror», o brilhante instrumental «Harmony», a dinâmica e subversiva «Matches», ou as duas partes do quase a capella «I Came before the Water». Sugestiva, fantasiosa e insinuantemente sedutora, a música de Lighthouse é fantasiosa e cativante do primeiro ao último tema, num rock de câmara sempre surpreendente de arranjos inspirados.
 
Cientes do seu crescimento, Iamthemorning continuam a evoluir, com uma presença ao vivo que se distancia já do som de estúdio, com a presença magnética (qual ninfa esvoaçante) de Marjana Semkina a cantar delicadamente temas de morte e destruição, sobre um som onde guitarra eléctrica, bateria e baixo se juntam a piano, violino e violoncelo. É, absolutamente, uma das bandas a não perder nos tempos mais próximos, e um dos projectos mais refrescantes destes dias.

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