Category Archives: 2014

Crítica: “New World” – Dave Kerzner

New World

New World
Artista: Dave Kerzner
Data: Setembro, 2014
Editora: RecPlay Inc

Dave Kerzner é o teclista e co-fundador da banda Sound of Contact (com Simon Collins, filho de Phil), já com uma vasta carreira de músico de estúdio e ao vivo de muitos nomes famosos do rock e do prog. Em 2014, Dave gravou o seu primeiro álbum a solo, “New World”, no qual assume também a voz. “New World” é tocado pelo próprio Dave, com bateria de Nick D’Virgilio (ex-Spock’s Beard, Big Big Train) e guitarra e baixo de Fernando Perdomo, para além de inúmeros convidados, que incluem Francis Dunnery, Steve Hackett, Keith Emerson, Heather Findlay, Billy Sherwood, etc.
 
A sensação principal de quando se ouve “New World” é a de que estamos ouvir um álbum perdido de David Gilmour. Tal deve-se à colocação da voz de Kerzner, uso de harmonias vocais e vozes de apoio femininas, e à própria estrutura das músicas, com aquele sabor pachorrento e espacial de sensibilidade pop que Gilmour gosta de incutir na sua música e trabalhos mais recentes de Pink Floyd. Destacam-se depois alguns elementos distintivos, a guitarra de Hackett no épico stranded, a bateria de Nick D’Virgilio a tornar as peças progressivamente mais dinâmicas, etc. Destaque, para além das duas longas suítes “Stranded” (a abrir e finalizar o álbum) para o instrumental “Crossing of Fates”, onde Kerzner consegue um toque clássico, com um solo que lembra o melhor de Tony Banks, ou para a mais rockeira “Redemption”.

Crítica: “Magnolia” – The Pineapple Thief

Magnolia

Magnolia
Artista: The Pineapple Thief
Data: Setembro, 2014
Editora: Kscope

Os Pineapple Thief começaram em 1999, como uma banda que era na verdade uma pessoa, o inglês Bruce Soord. Só após três álbuns editados e algum culto que pedia concertos ao vivo, Soord criou uma banda a sério, tendo desde aí mantendo uma intensa actividade que inclui o lançamento de 10 álbuns de originais, um deles (“At the Wars”) com acompanhamento de uma orquestra e um coro.
 
O décimo desses álbuns é “Magnolia”, um álbum que, como vem sendo hábito na carreira da banda inglesa, caminha entre o rock alternativo e o progressivo, aqui num registo mais simples (pop?) que o habitual. Assim, não será de estranhar uma sonoridade que lembra uns Muse ou Radiohead em princípio de carreira, com canções que passam de uma delicadeza torturada, a uma distorcida barreira de som, numa componente mais pesada que lembra um pouco Porcupine Tree. “Magnolia” é feito de 12 temas curtos, cheios de energia e personalidade ligando homogeneamente as duas vertentes dos Pineapple Thief.

Crítica: “Colours of Solitude” – A Secret River

Colours of Solitude

Colours of Solitude
Artista: A Secret River
Data: 2014
Editora: Bergstrands Beat

Da Suécia, país fecundo em matéria de bandas prog, chega o quarteto A Secret River, com o seu álbum de estreia, de 2014, “Colours of Solitude”. Como o título deixa antever, a ênfase da banda está em fazer música que apela a paisagens de calma e melancolia. Com influências claras de bandas clássicas, “Colours of Solitude” prefere composições melódicas, e arranjos simples, fugindo ao habitual show off de virtuosismo do progressivo.
 
A música dos A Secret River define-se por uma forte presença de piano clássico e guitarras de som cristalino, resultando nas oito canções de “Colours of Solitude” facilmente cantáveis, num som agradável (suscitando comparações com bandas como Anathema e Blackfield), mas sem muito de inovador. Reconhecem-se melodias quase pastorais, solos de guitarra e teclados que podem invocar um lado mais sereno do neoprog, ou ritmos que podem fazer lembrar Porcupine Tree (por exemplo em “No Way To Say Goodbye”). O destaque vai para o tema título, um bonito instrumental com enorme sabor de música clássica.