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Crítica: “Grimspound” – Big Big Train

Grimspound

Grimspound
Artista: Big Big Train
Data: Abril, 2017
Editoras: Electric English / Giant Electric Pea

Os Big Big Train são já um caso sério no rock sinfónico actual, sobretudo depois de em 2009 estabilizarem o seu elenco com a entrada do vocalista e multi-instrumentista David Longdon, do baterista Nick D’Virgilio (ex-Spock’s Beard) e do guitarrista Dave Gregory (ex-XTC, e ocasional colaborador de Steve Hogarth e de Porcupine Tree), que se juntaram aos fundadores Andy Poole (guitarra e teclados) e Greg Spawton (baixo). No sentido de diversificar o seu sinfonismo e riqueza tímbrica, a banda acrescentou também recentemente Rikard Sjöblom (guitarras e teclados), Rachell Hall (violino, viola e violoncelo) e Danny Manners (teclados e contrabaixo).
 
Foi este ensemble o mesmo que nos dera Folklore (English Electric, 2016), que gravou Grimspound, mostrando como a banda está numa fase muito activa em termos de produção e qualidade musical. É hoje fácil identificar um som Big Big Train, seja pela voz quente e rouca de David Longdon, pelo constante sinfonismo de som cheio, ou pelo incluir de elementos folk numa sonoridade que tem em Genesis (na sua faceta mais melancólica) as suas principais influências (ouça-se o mellotron ou os rendilhados de guitarras acústicas e as notas de flauta). O resultado é mais um conjunto de bons temas, facilmente cantáveis, e com espaço para o virtuosismo dos músicos, em construções que confirmam as suas influências, mas sempre com aquela melancolia inglesa de raiz folk que os caracteriza, confirmada, por exemplo, na voz de Judy Dyble (ex-Fairport Convention) no tema «The Ivy Gate». O destaque vai para o monumental tema de entrada «Brave Captain» e o longo e diversificado «A Mead Hall in Winter», que contrastam com o subtil «Meadowlands», de sensibilidade acústica, e um tributo à memória de John Wetton e o instrumental de sonoridade jazz «On The Racing Line».
 
Grimspound é um digno sucessor de Folklore, de que esteve para ser quase que um EP de acompanhamento, já que vários dos seus temas resultaram das sessões de gravação do álbum de 2016. Não surpreende, é certo, e talvez não traga nada acima dos trabalhos anteriores, mas é mais um conjunto de bons temas que entram para o enorme leque com que os Big Big Train vão presenteando os amantes do rock sinfónico.

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Lançamentos – Abril de 2017

Lançamentos do mês de Abril. Têm mais sugestões.

The SourceArtista: Ayreon
Título: The Source
Formato: 2CD+1DVD
Editora: Mascot Label Group
 
Onde obter:
https://www.mascotlabelgroup.com/ayreon-the-source-cd-dvd.html

 
 

XII (reissue)Artista: Barclay James Harvest
Título: XII [reissue]
Formato: 2CD+DVD
Editora: Esoteric Recordings (Cherry Red Records)
 
Onde obter:
http://www.cherryred.co.uk/product/xii-3-disc-deluxe-remastered-expanded-edition/

 
 

GrimspoundArtista: Big Big Train
Título: Grimspound
Formato: 1CD
Editora: English Electric Recordings
 
Onde obter:
https://www.burningshed.com/store/bigbigtrain/

 
 

Awaken the Guardian LiveArtista: Fates Warning
Título: Awaken the Guardian Live (ao vivo)
Formato: 2CD+DVD / BD
Editora: Metal Blade Records
 
Onde obter:
http://www.indiemerch.com/metalbladerecords/item/44894

 
 

Colours not Found in NatureArtista: Isildurs Bane & Steve Hogarth
Título: Colours not Found in Nature
Formato: 1CD
Editora: Ataraxia
 
Onde obter:
https://www.burningshed.com/store/isildursbane/

 
 

The Big DreamArtista: Lonely Robot
Título: The Big Dream
Formato: 1CD
Editora: InsideOut Music
 
Onde obter:
http://www.insideoutshop.de/Item/Lonely_Robot_-_The_Big_Dream_-Special_Edition_CD_Digipak-/16334

 
 

We Are LegendArtista: Magenta
Título: We Are Legend
Formato: 1CD+1DVD
Editora: Tigermoth Productions
 
Onde obter:
http://www.magenta-web.com/

 
 

Artista: Mostly Autumn
Título: Sight of Day
Formato: 1CD
Editora: Mostly Autumn Records
 
Onde obter:
http://www.mostlyautumnrecords.com/

 
 

Artista: Pendragon
Título: Masquerade 20
Formato: 1DVD / 2CD
Editora: Metal Mind Productions
 
Onde obter:
http://metalopolis.pl/7160,produkt,en.html

 
 
 
 
 
 

NovumArtista: Procol Harum
Título: Novum
Formato: 1CD
Editora: Eagle Records
 
Onde obter:
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B01MYH4Z5H/

 
 

RemediesArtista: Soup
Título: Remedies
Formato: 1CD
Editora: Crispin Glover Records
 
Onde obter:
http://www.crispingloverrecords.com/

 
 

Big Big Train – “East Coast Racer”

Título: East Coast Racer (15’41”)
Artista: Big Big Train
Álbum: English Electric (Part 2) (English Electric / GEP, 2013)
Autores: Greg Spawton (arranjos de metais: Dave Desmond , arranjos de cordas: Dave Gregory)

Formados em 1990 pelo guitarrista Andy Poole e pelo baixista Greg Spawton, os Big Big Train gravaram o seu primeiro álbum em 1994. A banda assinou então com a GEP, editora dos IQ, tendo sida promovida por estes e contado com a produção do seu teclista, Martin Orford. O seu som foi então descrito como reminiscente dos Genesis, e os Big Big Train conseguiram alguma atenção no circuito progressivo inglês.
 
Mas foi em 2009 que tudo começou a mudar para a banda. Se as entradas e saídas em torno da dupla Poole Stawton sempre tinham sido uma constante, nesse ano ganharam mais evidência com as entradas do vocalista David Longdon (que tinha estado na lista de possíveis substitutos de Phil Collins nos Genesis, e já trabalhara com Mike Rutherford, Tony Banks, e até Ray Wilson), e do baterista, e até aí líder dos Spocks Beard, Nick D’Virgilio (ele também um músico ligado aos Genesis, por ter colaborado em “Calling All Stations”). O resultado foi “The Underfall Year”, que apontava já um novo som. O quadro ficaria completo quando o veterano Dave Gregory (XTC, Steve Hogarth, Tin Spirits), que já colaborara em dois lançamentos dos Big Big Train, foi convidado a integrar a banda a tempo inteiro. Em 2012 e 2013 o renovado quinteto foi trazia-nos a dupla de álbuns “Electric English” partes 1 e 2.
 
Sendo dois álbuns que se podem ouvir consecutivamente, a dupla “Electric English” destaca-se pela riqueza melódica e tímbrica, que segundo a banda tenta reflectir a paisagem inglesa. Com um dinamismo que destaca os Big Big Train das influências originais conferindo-lhes uma maior originalidade, estes álbuns fizeram deles uma das bandas mais amadas da comunidade prog em 2012/2013.
 
É do segundo destes álbuns (que inclui também o teclista Danny Manners) que se destaca o longo “East Coast Racer”. Após uma breve introdução de piano inicia-se o primeiro tema, conduzido pelo ritmo rápido de bateria num tema melódico (estrofe – refrão – estrofe – refrão), com diferentes harmonias quer vocais quer instrumentais, onde pontuam o mellotron (Gregory), flauta, violoncelo. A voz de Longdon lembra uma mistura de Collins e Gabriel, ou talvez melhor dizendo, lembra Ray Wilson. A riqueza tímbrica é tal que nos faz precisar de várias audições para atentar em todos os pormenores.
 
Segue-se uma ponte instrumental, que inclui um solo de piano sobre o ribombar sempre imaginativo de Nick D’Virgilio, e o acompanhar de toda a banda que soa quase como uma orquestra, não faltando mesmo as cordas. A partir daí o tema segue a ritmo vertiginoso até a uma segunda metade mais atmosférica, com o lento desenrolar da melodia, primeiro pelos metais, até um lento e repetitivo adocicar final que conduz ao tema de piano com que o tema abre.

Big Big Train em 2012

Big Big Train em 2012: Dave Gregory, Andy Poole, Greg Spawton, David Longdon e Nick D’Virgilio

Como dito antes, a riqueza tímbrica faz-nos necessitar de várias audições para descobrir a miríade de acontecimentos ao longo do tema, que embora sempre dinâmico, e por vezes de ritmo frenético, é ainda assim simples. O cuidado nos arranjos, a voz de Longdon, e o modo como as diferentes sonoridades contribuem para o som sinfónico, tornam o tema distinto. Conter ao mesmo tempo tal exuberância e delicadeza, num equilíbrio difícil de igualar, é a sua principal qualidade.
 
O tema fala-nos da construção do caminho caminho de ferro, romantizando o trabalho, o sonho, o amor pela construção. O ênfase está no atingir de uma velocidade que nos parece fazer voar: “here was a lonely voice / and it spoke these words: / ‘run hard as you like / for the engines and men / of the line’. / He sees love. / he sees hope, / he sees everything that they are; / the need to fly far.”
 
“East Coast Racer” é um aperitivo para se descobrirem estes dois “Electric English”, que têm todas as razões para nos prenderem a atenção e terem de nós muito tempo para os descobrirmos.