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Crítica: “4 ½” – Steven Wilson

4 1/2

4 ½
Artista: Steven Wilson
Data: Janeiro, 2016
Editora: Kscope

Entre o seu muito celebrado quarto álbum a solo Hand. Cannot. Erase (Kscope, 2015) e o seu muito ansiado quinto álbum To The Bone (Kscope, 2017), Steven Wilson editou 4 ½ (Kscope, 2016), um EP composto de temas que sobraram das sessões de Hand. Cannot. Erase e do anterior The Raven That Refused to Sing (And Other Stories) (Kscope, 2013).
 
Eles são: «My Book of Regrets» e «Vermillioncore, dois temas que foram escritos entre 2013 e 2015, o primeiro deles já tocado ao vivo, e um tema forte com a assinatura inconfundível de Wilson, de dinâmicas complexas que lembram Porcupine Tree, o segundo mais experimentalista; «Year of the Plague», das sessões de The Raven…, um interlúdio instrumental de calmaria, a que se seguem dois temas de Hand. Cannot. Erase, o imediato, e relativamente alegre, «Happiness III» (que seria lançado como single) e o instrumental mais agressivo «Sunday Rain Sets In». Por fim temos o antigo tema de Porcupine Tree «Don’t Hate Me», agora em novos arranjos e em dueto com Ninet Tayeb (que se vem mostrando cada vez mais essencial no som de Steven Wilson), que o torna evocativo do antigo «Don’t Give Up» de Peter Gabriel e Kate Bush.
 
Em suma, sem ser essencial, 4 ½ é mais uma interessante colecção de temas, que fica bem na colecção de qualquer fã de Steven Wilson.

Crítica: “Lighthouse” – Iamthemorning

Lighthouse

Lighthouse
Artista: Iamthemorning
Data: Abril, 2016
Editora: Kscope

Lighthouse é já o terceiro álbum de originais dos russos Iamthemorning, mas em certo sentido é como se fosse o primeiro, pela projecção que alcançou, tornando-os uma das bandas revelação de 2016 na comunidade prog. Formados em 2010 como um duo de pop de câmara, constituído pelo pianista Gleb Kolyadin e pela cantora Marjana Semkina, os Iamthemorning foram evoluindo para um som mais complexo, abraçando outros ritmos, o que concretizam em Lighthouse, álbum lançado pela Kscope, que lhes permitiu a colaboração com músicos consagrados como Gavin Harrison e Colin Edwin dos Porcupine Tree e Mariusz Duda dos Riverside.
 
Destacando-se pela voz dinâmica de Marjana Semkina (por vezes a capella), detentora de um registo agudo que recorda um pouco Kate Bush ou Tori Amos (note-se que o álbum foi produzido por Marcel van Limbeek, habitual colaborador de Amos), mas mais controlado e etéreo, a música dos Iamthemorning é definida pela composição para piano de Gleb Kolyadin, que não esconde a sua formação clássica. Entre o neo-clássico e o minimalismo, o som evolui depois entre texturas cristalinas de instrumentos clássicos, paisagens delicadas e momentos mais ácidos. Pontos altos são a enérgica «Too Many Years», a sublime «Sleeping Pills», o registo meio-cabaret de «Libretto Horror», o brilhante instrumental «Harmony», a dinâmica e subversiva «Matches», ou as duas partes do quase a capella «I Came before the Water». Sugestiva, fantasiosa e insinuantemente sedutora, a música de Lighthouse é fantasiosa e cativante do primeiro ao último tema, num rock de câmara sempre surpreendente de arranjos inspirados.
 
Cientes do seu crescimento, Iamthemorning continuam a evoluir, com uma presença ao vivo que se distancia já do som de estúdio, com a presença magnética (qual ninfa esvoaçante) de Marjana Semkina a cantar delicadamente temas de morte e destruição, sobre um som onde guitarra eléctrica, bateria e baixo se juntam a piano, violino e violoncelo. É, absolutamente, uma das bandas a não perder nos tempos mais próximos, e um dos projectos mais refrescantes destes dias.

Crítica: “V” – Blackfield

V

V
Artista: Blackfield
Data: Janeiro, 2017
Editora: Kscope

Blackfield é o nome do projecto de colaboração entre o inglês Steve Wilson e o israelita Aviv Geffen, que vai já na sua quinta edição, na continuação da sua proposta de um pop de ambientes complexos, ou, para quem preferir, de um rock progressivo de sensibilidade pop. Depois de terem apanhado o mundo de surpresa, com os seus dois primeiros álbuns, Blackfield (Snapper Music/Kscope, 2004) e Blackfield II (Snapper Music/Kscope, 2007), a inspiração pareceu esgotar-se um pouco nos trabalhos seguintes, com Steven Wilson a concentrar-se prioritariamente na sua carreira a solo, e Geffen a assumir o projecto.
 
Nesse sentido, V parece um recuperar de forma, com a sonoridade conhecida do duo a voltar a dominar, em paisagens melancólicas, com o mote dado logo no instrumental de abertura «A Drop in the Ocean», que parece provir de uma banda sonora para cinema. São as habituais paisagens cinemáticas de Wilson que dominam mesmo nas composições de Geffen (que assina todas menos uma canção, duas delas em colaboração com Wilson). Se «Family Man» parece tirada de um álbum de Wilson, «How Was Your Ride?», «We’ll Never Be Apart» (ambas produzidas por Alan Parsons) e «From 44 to 48» (a única de autoria de Wilson a solo) são Blackfield no seu melhor e mais melancólico som orquestral. Pontos altos são a sentimental «October» e a faustosa «Undercover Heart». Já menos interessantes serão talvez as buscas de outros ritmos na rápida «The Jackal» e na sincopada «Lonely Soul», ambas com a novidade da voz feminina de Alex Moshe, ou as lentíssimas «Sorrys» e «Life, is an Ocean».
 
Em suma, mais uma boa adição para a interessante discografia dos Blackfield, em particular para os fãs do som pop melancólico que pautou os seus dois primeiros álbuns.