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Synaesthesia – “Time, Tension & Intervention”

Título: Time, Tension & Intervention (22’10”)
Artista: Synaesthesia
Álbum: Synaesthesia (Giant Electric Pea, 2014)
Autores: Adam Warne, Ollie Hannifann

Quem diz que o prog é música de velhos saudosistas de tempos antigos, ou metaleiros empenhados em fazer versões eléctricas de Bach? A negar isso está Adam Warne que, com apenas 20 anos, então na universidade, e já com muita música escrita, mas ainda sem uma forma de a concretizar, se juntou ao colega e guitarrista Nikolas Jon Aarland, para criar projecto Synaesthesia, e dar forma a canções modernas, de influências múltiplas, desde o progressivo ao alternativo da sua geração.
 
A peça seguinte seria a amizade com Michael Holmes, dos IQ, que lhes abriu as portas do seu estúdio, e editora, a Giant Electric Pea. Saía entretanto Nikolas Jon Aarland, entrava Ollie Hannifann para a guitarra, com Adam a tocar grande parte dos instrumentos, e Michael Holmes a completar aqui e ali. O resultado foi o álbum homónimo, editado em já em 2014, com a curiosidade de ter a capa desenhada por Freyja Dean, filha do famoso Roger Dean.
 
Faltava ainda formar uma banda, e isso aconteceu através de contactos com amigos e anúncios na internet. Entravam o segundo guitarrista Samuel Higgins, o baterista Robin Johnson e o baixista Peter Episcopo. A banda acompanhou os IQ em digressão, sendo muito elogiados pela crítica. Ainda em 2014 registou-se a saída de Ollie Hannifan, substituído por Joey Frevola. Os Synaesthesia mantêm uma intensa actividade ao vivo, tendo em Março passado participado no Marillion Weekend de Wolverhampton, e estando já agendados para tocar pela Europa na digressão de Outono dos Spock’s Beard.
 
Dizendo-se inspirado por bandas como Frost*, Porcupine Tree, IQ, Dream Theater e Muse, Adam Warne abre “Synaesthesia” com “Time, Tension & Intervention” uma peça de mais de 22 minutos, que é o ponto alto do álbum, dividida em seis partes (a. The Big Freeze / b. An Excursion / c. Past / d. Present / e. Future / f. End), e que serve de mote para este texto.

Synaesthesia em 2014

Os Synaesthesia em 2014: Peter Episcopo, Ollie Hannifann, Adam Warne, Robin Johnson e Sam Higgins

 
Tudo começa com “The Big Freeze”, gentilmente, com delicados temas de teclas e guitarra a soarem como caixas de música de infância, e todo toque de nostalgia, conduzido pela voz de Warne, que canta “Do you remember those times…”. Passa-se de seguida a um dinâmico intrumental de cinco minutos, intitulado “The Big Freeze”, que nos traz a musicalidade dos Synaesthesia no seu estado mais puro,. Esta é feita de fortes temas de sintetizador, muitas vezes dobrado pelas guitarras, que vão do prog mais cristalino à distorção, com percussões dinâmicas e baixo proeminente.
 
A terceira secção é “Past”, com uma abordadem mais rock (às vezes a lembrar Foo Fighters), e uma estrutura de estrofe (“Here we are 2010…”) seguido de refrão e ponte instrumental, que depois se repete. Por volta dos 10’40”, com “Present” a música torna-se mais espacial, com longas e calmas notas de sintetizador a anunciarem a voz de Warne (“So this is how it starts”). Instrumentalmente talvez se ouçam influências de Genesis, mas logo o som espacial das teclas de Warne o leva para sua casa nos seus típicos solos. A acalmia volta com a repetição do tema anterior em “Everyday I have vivid dreams with you”, que após um solo de beixo volta de novo com “You smiled at me”.
 
“Future” surge pelos 17 minutos e meio (“When the clock strikes twelve…”), de novo a trazer a calma, apenas voz sobre um fundo distante de sintetizadores. A faixa termina com “End”, iniciada com angelicais efeitos de vozes que introduzem a voz de Warne, que vai cantando sobre passagens acústicas, com solos épicos de permeio até à coda final, com novo reouvir da tal caixa de música inicial.
 
Liricamente “Time, Tension & Intervention” é inspirado por um episódio da vida de Adam Warne, que a dada altura se desentendeu com o seu então melhor amigo, e os dois nunca mais reataram a amizade. O tema é uma forma de tentar revisitar esses momentos e tentar compreender quem o seu amigo realmente é.
 
Com nítido engenho instrumental, mas sem se deixarem cair num show off exagerado, a música dos Synaesthesia coloca sempre a melodia (e a narrativa) em primeiro plano, surgindo como que a marcar os estados de espírito, do atmosférico ao dinâmico, do acelerado ao calmo, tudo fluindo em harmonia, guiado pela voz melancólica de Adam Warne.
 
Um tema com um pé na tradição, e outro num som moderno, com uma personalidade muito própria. Para descobrir com tempo e atenção.
 

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